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A presente exposição decorre de uma casualidade, quando três amigos artistas, sem nenhuma proximidade profissional, se dão conta que, embora um pintor e os outros uma dupla de designers, pode-se perceber uma relação no uso de formas e cores, na proximidade das referências – natureza e abstração – que informam suas práticas artísticas. O pintor batalha solitário no estúdio, enquanto os designers operam um trabalho em equipe. Promover o encontro destas duas produções de linguagens diversas quer, antes de tudo, acentuar no espaço expositivo a possibilidade de uma experiência visual direta e imediata de volumes, formas e cores, antes de qualquer leitura ou interpretação. Uma ponte aberta ao lugar onde elas se encontram, os sentidos.
Não se trata de problematizar uma relação entre duas disciplinas, mas, com uma situação de diálogo, oferecer um espaço para pensar a criação, buscar a beleza, o prazer no olhar. Enquanto as pinturas de Rodrigo Bivar instauram um campo de contemplação, o mobiliário de Gerson Oliveira e Luciana Martins configura a espacialidade desta experiência limite de arte e design. Formas e cores se atravessam, a barranca do rio se estende em móveis de pedras, planos desenham percursos, volumes insinuam paisagens, perfis orgânicos e sensuais suavizam a geometria, brincam com a percepção, promovem pontos de vista. A exposição se ensaia como um sítio para estar e olhar, algo díspar dos espaços nas telas eletrônicas e de um mundo definido pela superprodução e consumo de imagens.
Ivo Mesquita
curador